29 agosto, 2006

Sou de vidro























Meus amigos sou de vidro
Sou de vidro escurecido
Encubro a luz que me habita
Não por ser feia ou bonita
Mas por ter assim nascido
Sou de vidro escurecido
Mas por ter assim nascido
Não me atinjam não me toquem
Meus amigos sou de vidro

Sou de vidro escurecido
Tenho fumo por vestido
E um cinto de escuridão
Mas trago a transparência
Envolvida no que digo
Meus amigos sou de vidro
Por isso não me maltratem
Não me quebrem não me partam
Sou de vidro escurecido

Tenho fumo por vestido
Mas por assim ter nascido
Não por ser feia ou bonita
Envolvida no que digo
Encubro a luz que me habita

Lídia Jorge

2 comentários:

Anónimo disse...

Linda imagem, bonito poema. Como sempre, uma combinação perfeita, neste recanto de muita paz e tranquilidade. Beijos

Esvoaçante disse...

É o que nele procuro plantar (sorriso), sobretudo a tranquilidade de alma, mesmo (ou exactamente) quando ela se agita :)
Beijo.